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Colônias que não deram certo

Algumas vezes fazemos o chá e as colônias simplesmente não funcionam.

Recentemente, em agosto de 2011, realizei uma tentativa de recuperação de algumas colônias guardadas a mais de um ano e meio na geladeira. Durante os últimos 6 meses não receberam novos alimentos, isso é, não foi adicionado chá doce ao local em que estavam armazenadas.

Após o período de quase 600 dias, as colônias apresentavam um aspecto mais escuro. Algumas estavam bem grossas e ainda algumas poucas permaneciam com a cor clara. Todas sem excessão apresentavam aspecto saudável, apesar de que, aparentemente, não estavam produzindo gases o que concluí em função da tampa não estar nem mesmo estufada, como normalmente ficava.

Fiz o chá bem doce e coloquei as melhores colônias dentro no intuito de conseguir um filhote. Imaginei que pelo menos uma colônia das três que tentei produzir fosse se tornar mais forte e se reproduzir. Coloquei nos vidros tampados, como de costume, seguindo a receita clássica, mas os resultados não foram exatamente os esperados.

Os resultados, após cerca de 20 dias de fermentação foram:

  1. As colônias ficaram com forte aroma de vinagre, o que já era esparado;
  2. Uma das colônias não reproduziu, não gerou nada, aparentemente estava morta;
  3. Duas colônias produziram mofo ou algo semelhante;

Algumas imagens podem demonstrar melhor o que estou dizendo:

Os três recipientes utilizados, logo após a retirada

Repare na superfície, não há formação de colônias

Nesses dois casos podemos observar a formações de microorganismos

Mais uma imgem dos recipientes ainda tampados

Nessa foto acima podemos observar que não há formação de colônia

A colônia foi contaminada, de alguma forma, não sei bem o porque

Mesmo por fora do vidro podemos observar que o resultado não é o esperado

A dica que fica a partir dessa experiência é que devemos tomar muito cuidado ao observar as colônias após o período de fermentação.  De certa forma fica comprovado o fato de que uma colônias deixada por muito tempo na geladeira pode se enfraquecer, não reproduzir ou mesmo fica mais suscetível a contaminação.

Colônias gigantes e esculturas

Durante uma pesquisa pela rede me deparei com uma imagem no mínimo surpreendente. Vi uma colônia gigante.

Quando pensamos em produção de Kombucha, logo imaginamos um vidro com capacidade para um ou mais litros, uma pequena colônia com cerca de 300 gramas de peso. Bem isso é o que vemos normalmente nas receitas clássicas de preparo.

Mas algumas pessoas dão uma outra dimensão a essa produção:  são os produtores de colônias gigantes. Essa produção exagerada, esse cultivo de colônias de enormes proporções é no mínimo intrigante. Os objetivos são diversos, mas me chamou a atenção uma artista plástica que utiliza colônias em suas obras, e para tanto produz colônias realmente enormes!

Bem, vejamos as imagens. Essa logo abaixo é de um aquário aparentemente bem grande e com uma colônia gigante se formando.

Outra imagem que me surpreendeu bastante foi a de uma escultura muito grande feita com colônias ressecadas de Kombucha.

A escultura é da artista plástica Nöle Giulini. Abaixo algumas imagens da sua obra e um vídeo que demostra como são produzidas as colônias gigantes utilizadas por ela. É muito interessante.

Colonia gigante utilizada na escultura

A escultura

Detalhes da escultura

Outros detalhes

Vídeo disponibilizado no YouTube

O endereço do site dessa artista é www.ngiulini.com

Kombucha proibido na Argentina!

Trata-se de uma nota de proibição à comercialização e ao uso legal da bebida no território argentino.

Um artigo chamou a atenção do meu amigo Pedro Sanchez durante uma busca na Internet sobre o Kombucha, e ele me enviou o link e gentilmente o traduziu do espanhol para o português.  O texto foi publicado a alguns anos (março de 2005) e traz um conteúdo que se opõe a opinião corrente e comumente encontrada sobre o Kombucha e os seus possíveis riscos. O seu conteúdo deve ser colocado em debate, afinal, traz um conteúdo que pode ser produto da ausência desse mesmo debate ou ainda fruto de uma inconsistente pesquisa sobre a produção do Kombucha.

Abaixo coloco o texto integral para sua apreciação.


Emissor:

Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (A.N.M.A.T.)

http://www.anmat.gov.ar

Este órgão é subordinado ao Ministério da Saúde argentino.

http://www.msal.gov.ar

Órgão argentino correspondente no Brasil à ANVISA, inclusive mantendo acordos mútuos de colaboração.

http://www2.mre.gov.br/dai/b_argt_392_5561.htm

Sumário:
Proibição da comercialização e uso em todo o território nacional de todos os produtos a base de Kombucha, por não estar autorizados.

O texto abaixo, é uma tradução literal do documento encontrado em
http://www.anmat.gov.ar/webanmat/retiros/marzo/Disposicion_2005_1829.pdf
(link revisado em março de 2016 – o link anterior não estava mais funcionando)

B.O. 13/04/05 SAÚDE PUBLICA Disposição 1829/2005 – ANMAT – Proíbe-se a comercialização e uso de todos os produtos a base de Kombucha, por não estar autorizados.
Buenos Aires, 28/3/2005
VISTO o expediente Nº 1-47-2110-7369-04-0 desta Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica e,
CONSIDERANDO [foi numerado com o objetivo de facilitar a discussão]:

  1. Que as presentes autuações se originam a raiz de uma denuncia efetuada perante o Ministério de Saúde e Meio Ambiente com relação ao produto “Chá de Kombucha”, pelo que manifestam que o prospecto anexo expressa ser indicado para o tratamento de certas doenças e que alem do mais não está autorizado.
  2. Que o Departamento Avaliação de Medicamentos da ANMAT, informa que o mencionado produto não tem registro como especialidade medicinal.
  3. Que o Departamento Legislação e Normalização do Instituto Nacional de Alimentos mediante o informe Nº 400/ Leg 2002 informa que o produto “Chá de Kombucha” não se encontra contemplado no Código Alimentício Argentino, nem mesmo responde à definição de Suplemento Dietário devido à presença de microorganismos viáveis no mesmo.
  4. Que de acordo com a informação coletada, os isolamentos típicos de microorganismos que foram encontrados no chá de Kombucha são Acetobacter xylinum, Acetobacter xylinoides, Acetobacter ketogenum, Saceharomycodes ludwigii, Saccharomycodes apiculatus, Schizosaccharomyces pombe, Zygosaccharomyces, e Saccharomyces cerevisiae. (“The microbiology of the Kombucha colony and fermen”. Analyses of Kombucha Ferments: Report on Growers. B Michael R. Roussin).
  5. Que o chá de Kombucha é uma combinação simbiótica de leveduras com varias bactérias que juntas produzem antibióticos naturais poderosos que podem ser tóxicos e além do mais podem gerar como resultado infecções bacterianas resistentes a medicamentos.
  6. Que os especialistas em micologia advertem que no cultivo do cogumelo o risco de contaminação por Aspergillus é alto. A Aspergillosis é uma infecção micótica que ataca o cérebro e pode ser fatal em pessoas com sistemas imunes debilitados.
  7. Que foram informados vários casos de pacientes que usam Kombucha e que tiveram problemas de estômago, inclusive náusea e vômitos, e outros pacientes sofreram infecções severas de levedura. (“Kombucha toxicity alert” by Kiyoshi Kuromiya. Critical Path AIDS Proyect Nº 30 January 1995).
  8. Que a Australian Adverse Drug Reactions (ADRAC) sugere que o chá de Kombucha pode ser tóxico de acordo a análises das informações de casos de hepatoxicidade, acidoses láctica, alteração da função hepática, glóbulos brancos e eritrosedimentação reportados por diversos países. (“Kombucha tea”. Australian Adverse Drug Reactions Bulletin, May 1997).
  9. Que considerando o uso a longo prazo deste produto podem apresentar-se riscos entre os que se incluem: contaminação com Aspergillus, cogumelo que produz aflatoxina B que é um potente metabólico causador de câncer; desenvolvimento de resistência antibiótica quando o corpo desenvolve as respostas imunes a muitos componentes do Kombucha; os efeitos em tecidos corporais devido à exposição prolongada dos ácidos. (“Cure du jour: Kombucha”. NCAHF Newsletter Volume 18, Number 2 (March-April 1995)).
  10. Que o produto não se encontra autorizado e alem do mais, não pode ser identificado em forma clara como produzido, elaborado e/ou fracionado num estabelecimento determinado visto que no rótulo não se define marca, número de registro de estabelecimento elaborador nem endereço do mesmo.
  11. Que atento a isto e a fim de proteger a saúde dos consumidores, o INAL recomenda proibir a comercialização e uso em todo o território nacional, de todos os produtos a base de Kombucha, independentemente das demais ações a tomar.
  12. Que o citado procedimento enquadra nas funções de fiscalização e controle que lhe correspondem exercer a esta Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMAT), atento à responsabilidade sanitária que lhe cabe com respeito à população.
  13. Que o INAL e a Direção de Assuntos Jurídicos tomaram a intervenção de sua competência.
  14. Que se atua no exercício das faculdades conferidas pelo Decreto Nº 1490/92 e o Decreto Nº 197/02.

Por isto,
O INTERVENTOR DA ADMINISTRAÇÃO NACIONAL DE MEDICAMENTOS, ALIMENTOS E TECNOLOGIA MÉDICA DISPÕE:
Artigo 1º – Proíbe-se a comercialização e uso em todo o território nacional de todos os produtos a base de Kombucha, pelos motivos expostos no considerando da presente.
Artigo 2º – Registre-se, seja dado à Direção Nacional de Registro Oficial para sua publicação, comunique-se às autoridades provinciais, ao Governo Autônomo da Cidade de Buenos Aires. Seja dada cópia ao Departamento de Relações Institucionais.
Atendido. Arquive-se.
Manuel R. Limeres.


O que podemos perceber através das citações do texto acima é que o temor principal e que motivou a proibição da produção para uso comercial do Chá de Kombucha é o possível desenvolvimento de microorganismos prejudiciais durante o processo de fermentação e armazenagem. Os conhecidos Aspergilos são os vilões que levaram alguns argentinos a uma atitude tão radical. Bem, assim sendo, o que temos que fazer a seguir é conhecer um pouco sobre os aspergilos e saber porque eles são os responsáveis pelo medo que tomou conta dos representantes da A.N.M.A.T. a ponto de levá-los a indicar a proibição do uso dessa tão saborosa bebida.

Acho que é melhor colocar esse debate no Fórum KBB porque é um espaço mais adequado ao debate. Por favor, dê sequência a leitura desse texto aqui…

Kombucha com sabor! – Ilustrado

Existem técnicas interessantes para aperfeiçoar o sabor do Kombucha. O uso dessas técnicas pode alterar bastante o sabor da bebida. É um prazer e uma diversão descobrir novos sabores, novas formas de preparo. Essa técnica permite alcançar sabores capazes de satisfazer até os mais exigentes gourmets. É surpreendente o novo leque de possibilidades que se abrem ao se utilizar essa personalização do sabor. Os resultados alcançados são fantásticos! O sabor fica realmente incrível!

Adicionar sabor aos alimentos é uma técnica conhecida da indústria em todo mundo e o intuito é, em primeiro lugar, alcançar uma maior quantidade de consumidores. Diversificar o sabor é um bom negócio e tem proporcionado o aumento nos lucros de diversos segmentos dessa indústria dos alimentos desde o início do processo de industrialização, no século XIX. Ainda é bastante utilizado, notadamente em países como os EUA, nos mais diversos alimentos como iogurtes, sorvetes, refrigerantes, guloseimas, pães, dentre muitos outros. Assim surgem os sorvetes de uva, picolés de limão, refrigerantes de cereja, chicletes de melão, e até mesmo os cruzamentos genéticos entre frutas, verduras, leguminosas. Tudo isso visa agradar a um maior número de pessoas, satisfazer os mais diversos gostos, aumentar as vendas e os lucros enfim.

E isso não poderia ser diferente com o Kombucha. Existem diversas empresas no mundo todo produzindo Kombucha para comercializar. Hoje encontramos em algumas cidades dos EUA e da Alemanha o Kombucha pronto para beber nas mesmas lojas que encontramos refrigerantes. Para essas empresas se tornou importante conseguir novo público para a bebida e isso vai sendo conseguido com a diversificação no sabor original do Kombucha. O nome que se dá a isso não tem uma tradução exata em português: é Flavored Kombucha. Assim, surgiram o Kombucha com sabor gengibre, pera, uva, morango, limão, cereja, romã, e muitos outros. Isso é uma evolução a meu ver, e espero que um dia possamos consumir Kombucha com a mesma facilidade aqui no Brasil. É uma ótima opção e uma excelente alternativa ao consumo de refrigerantes, notadamente pelas crianças.

Kombucha engarrafado em diversos sabores

Como podemos perceber, adicionar novos sabores ao Kombucha é uma prática bastante interessante. Além de agradar muito àqueles que tem um paladar mais exigente, ainda permite que o Kombucha seja apreciado por aquelas pessoas que tenham alguma resistência ao sabor original da bebida.

Bem, apresento abaixo uma receita ilustrada do Kombucha sabor Gengibre com Limão. Todas as pessoas que experimentaram o Kombucha segundo essa receita acharam o sabor excelente, diferenciado. Algumas pessoas sugeriram mesmo que se montasse uma empresa para produzir o Kombucha com essa técnica, pois o sabor assim agradaria até aos mais exigentes.

Para a receita de Kombucha com Gengibre precisamos de:

  1. Kombucha, de preferência recém saído da primeira fermentação (veja receita clássica);
  2. Gengibre, um pequeno pedaço é o suficiente;
  3. Limão*, esse utilizado na foto é o mais comum (acho que é o tipo taiti);
  4. Garrafa de vidro ou PET com tampa (de preferência de rosca para evitar que a expansão dos gases expulse a tampa).

Portanto vamos começar pegando o Gengibre e o limão.

Gengibre e limão segunda fermentação Kombucha
Gengibre e limão segunda fermentação Kombucha

Agora retiramos do gengibre algumas pequenas fatias, bem finas.

Cortando o gengibre segunda fermentação Kombucha
Cortando o gengibre segunda fermentação Kombucha

Aqui a quantidade de gengibre separado para uma garrafa de 1,5 litros. Não pesei porque acho que é uma média. Para uma receita mais precisa podemos pesar com uma balança digital de cozinha.

Gengibre cortado segunda fermentação Kombucha
Gengibre cortado segunda fermentação Kombucha

Agora pegamos o limão.

Gengibre picado e limão segunda fermentação Kombucha
Gengibre picado e limão segunda fermentação Kombucha

Cortamos algumas pequenas fatias da casca. Acho que fica melhor quando o limão tem a casca mais grossa e podemos tirar uma fatia mais branca. Esse limão que eu utilizo aqui tem a casca bem fina, mas ainda assim serve ao nosso propósito.

Casca de limão para a segunda fermentação do Kombuchá
Casca de limão para a segunda fermentação do Kombuchá

Agora pegamos a garrafa, já devidamente limpa e preparada para receber os ingredientes. Nesse caso foi utilizada uma garrafa de vidro, mas poderia ser uma garrafa do tipo PET, sem maiores problemas. Essa garrafa tem a capacidade para um litro e meio (1,5 litros) porque o objetivo é produzir a bebida para um grupo de pessoas. É recomendável abrir a garrafa e consumir todo o Kombucha na hora porque o sabor dessa fermentação se altera depois da garrafa aberta, como ocorre com um refrigerante, champanhe ou frizante. Garrafas menores são mais adequadas quando produzimos somente para consumo próprio.

Garrafa suco uva segunda fermentação Kombucha
Garrafa suco uva segunda fermentação Kombucha

Colocamos os pedaços previamente cortados do gengibre e do limão dentro da garrafa. Geralmente a boca da garrafa tem um diâmetro pequeno e é por isso que cortamos tanto o gengibre quanto o limão em pequenas fatias.

Colocando gengibre garrafa segunda fermentação Kombucha
Colocando gengibre garrafa segunda fermentação Kombucha

Depois de colocados os pedaços na garrafa, esprememos o limão para retirar o seu suco. Nesse caso eu utilizo o suco de meio (1/2) limão.

Espremendo limão segunda fermentação Kombucha
Espremendo limão segunda fermentação Kombucha

Colocamos o suco do limão na garrafa. E logo depois o Kombucha pronto, produto da primeira fermentação.

Colocando limão segunda fermentação Kombucha
Colocando limão segunda fermentação Kombucha

Deve-se encher a garrafa até completar.

Bico da garrafa segunda fermentação Kombucha
Bico da garrafa segunda fermentação Kombucha

Assim, com a garrafa cheia até o bico, evitamos a presença de ar. O processo dessa fermentação com o objetivo de adicionar sabor a bebida é anaeróbico, isso é, sem a presença de ar. Esse procedimento já foi citado anteriormente, mais detalhes você pode ler nos artigos sobre a segunda fermentação tanto no blog quanto no fórum.

Bico da garrafa segunda fermentação Kombucha
Bico da garrafa segunda fermentação Kombucha

Pronto, agora é só tampar bem a garrafa, com uma tampa de rosca, se possível. Tampas sem rosca como aquelas de plástico para garrafas (compradas em supermercados)  podem não suportar a pressão e a garrafa pode se abrir. As rolhas também são uma boa solução, mas dão mais trabalho para retirar.

Após devidamente lacrada, a garrafa pode ir para o local de descanso no qual permanecerá em média de três (3) a sete (7) dias, dependendo da temperatura ambiente. Quanto mais quente, mais rápido o processo ocorre. A uma temperatura média de 25º centígrados, acredito que uns quatro ou cinco dias sejam suficientes.

Garrafa pronta segunda fermentação Kombucha
Garrafa pronta segunda fermentação Kombucha

Após o período de descanso, no qual a bebida vai adquirir o sabor desejado, ocorrerá a formação de grande quantidade de gases no interior da garrafa. Certo cuidado dever ser tomado no momento de abrir a garrafa, porque provavelmente a bebida irá espirrar por todos os lados. Uma forma de diminuir essa reação é colocar a garrafa na geladeira algumas horas antes de abri-la.

Um bom exemplo é essa imagem de uma fermentação em garrafa do tipo PET de 500 ml na qual adicionei pequenos pedaços de melão. Repare como ficou estufada!

Segunda fermentação com adição de melão
Segunda fermentação com adição de melão

O resultado foi um aumento significativo na intensidade da gaseificação já presente, normalmente, em uma segunda fermentação. A pressão no interior da garrafa aumentou de uma forma tão rápida e intensa que eu imaginei que a garrafa fosse se romper (um dia ainda vou deixar a garrafa lacrada para ver se vai mesmo explodir – apesar de que não sei se isso realmente irá acontecer, afinal o material PET é muito resistente). Repare o tanto que o líquido se deslocou para baixo, sendo que a garrafa foi completamente preenchida antes de fechar. Esse processo ocorreu em 3 dias! Quando abri a garrafa o gás fez com que a metade do líquido vazasse rápida e intensamente da garrafa, espirrando Kombucha por todos os lados de forma incontrolável. Tampei e voltei a abrir somente um pouco para que o gás saísse sem expulsar o líquido, mas o gás permaneceu saindo por 15 ou 20 minutos sem parar. Impressionante. Consegui depois de algum trabalho, abrindo e fechando rapidamente a garrafa, salvar um terço do seu conteúdo. Ficou muito saboroso apesar da bagunça. Esse efeito parece ocorrer com as garrafas PET de forma mais intensa do que com as garrafas de vidro.

Como você deve estar imaginando, podemos utilizar outros sabores. São inúmeras as possibilidades. Não sei se existe algum risco quando misturamos Kombucha com outros alimentos. Acredito que a maioria dos alimentos mais ácidos sejam compatíveis com Kombucha, mas não posso afirmar com certeza. Já testei algumas receitas com melão, maracujá, gengibre, limão. O de maracujá fica muito saboroso, mas temos que colocar pouco porque o sabor é muito marcante e suplanta o sabor do Kombucha. O melão devemos colocar maior quantidade porque o sabor é mais fraco. O meu preferido até o momento é mesmo esse de gengibre com limão, que já se tornou uma receita clássica e está sendo utilizada em todo o mundo.

Algumas frutas tem seu sabor tão presente, tão intenso, tão marcante que podem modificar completamente o gosto final da bebida. Um novo campo para saborosos experimentos se abre. Faça você também as suas experiências, e não deixe de comentar no Fórum KBB.

* As variedades de limão mais conhecidas são: limão-galego – pequeno e suculento, de casca fina, cor verde-clara ou amarelo-clara; limão-siciliano – grande, de casca enrugada e grossa, menos suculento e mais ácido que o galego; limão-cravo – parecido com uma mexerica, tem casca e suco avermelhados e sabor bem forte; limão-taiti – de tamanho médio, casca verde e lisa,muito suculento e pouco ácido.

Guardando as colônias – Ilustrado

Me perguntaram como fazer para retirar, para guardar as colônias logo após a fermentação. Nunca havia pensado em fotografar esse processo, porque acredito que ele seja muito simples, mas agora vi que documentar essa retirada pode ser útil para algumas pessoas.

Para fazer essa retirada temos que:

  • Encontrar um recipiente para armazenar a colônia com um pouco de chá;
  • Lavar bem as mãos;
  • Lavar bem o recipiente que receberá a cultura (colônia);
  • Também lavar os utensílios utilizados durante esse procedimento;
  • Preparar o local, geralmente uma mesa;
  • Destinar algum espaço na geladeira para o recipiente com as colônias.

Procedimento

Trazer a fermentação do local de descanso para a mesa onde será manipulada.

Final da fermentação do Kombucha - bebida pronta
Final da fermentação do Kombucha – bebida pronta

Retire agora o pano que tampa o vidro para procedermos a retirada da colônia. Com as mãos bem limpas, retire a colônia que está por cima primeiro. Muitas vezes essa colônia filho se encontra unida com a colônia mãe abaixo dela. Se isso ocorrer há duas possibilidades: separá-las ou mantê-las unidas. Se estiverem muito coladas, a separação pode partir uma das colônias. Nesse caso elas podem ficar unidas e serem assim utilizadas numa próxima fermentação.

Colônia mergulhando no chá
Transferência da Colônia de Kombucha

Nesse caso abaixo, separei antecipadamente um prato para colocar as colônias no intuito de avaliar o seu crescimento, a cor e o volume da nova colônia e compará-la com a mãe. Repare que também já preparei o recipiente para recebê-las, no caso uma embalagem dessas tipicamente utilizadas para guardar alimentos (tipo Tupperware).

Preparando as colônias para guardar na geladeira - foto 1/5
Preparando as colônias para guardar na geladeira – foto 1/5

Na vasilha de plástico (tipo Tupperware), coloque uma pequena quantidade de chá doce. Isso é o alimento da colônia. Se você pretende manter a colônia armazenada por algumas semanas ou mesmo meses, é recomendável que você troque o chá doce no máximo a cada 30 dias para evitar que a colônia se enfraqueça ou mesmo para de se reproduzir. Lembre-se que o recipiente não deve estar totalmente lacrado, portanto aquelas embalagens de qualidade inferior com a tampa um pouco frouxa talvez seja a melhor opção. Se você lacrar o recipiente ele provavelmente vai se expandir, em função da formação de gases, até que sua tampa saia.

Preparando as colônias para guardar na geladeira - foto 2/5
Preparando as colônias para guardar na geladeira – foto 2/5

Coloque no recipiente todas as colônias que serão guardadas. Nessas imagens existem mais de duas colônias porque eu retirei mais de uma fermentação no mesmo momento.

Preparando as colônias para guardar na geladeira - foto 3/5
Preparando as colônias para guardar na geladeira – foto 3/5

Tenha o cuidado de cobrir as colônias com o chá para que as mesmas sejam adequadamente nutridas e não se ressequem. O ideal é que todas as colônias permaneçam mergulhadas no chá doce.

Preparando as colônias para guardar na geladeira - foto 4/5
Preparando as colônias para guardar na geladeira – foto 4/5

Pode ser utilizado também um pouco do Kombucha pronto, a critério de cada um. Pessoalmente acho que quando colocamos as colônias para armazenagem em Kombucha pronto, elas tendem a se acidificar com maior facilidade e mais rapidamente.

Preparando as colônias para guardar na geladeira - foto 5/5
Preparando as colônias para guardar na geladeira – foto 5/5

Assim dispostas as colônias estão prontas para serem armazenadas. Devemos tampar o recipiente e levá-lo para a geladeira. O local ideal para armazenagem das culturas é logicamente a geladeira, porque em temperaturas mais frias a colônias tem o seu desenvolvimento retardado, isso é, a velocidade da reprodução diminui e dificulta muito a formação de novas colônias. Além disso, o chá vai se tornando mais ácido apesar das colônias não crescerem, e é por isso que devemos trocar o conteúdo líquido de tempos em tempos (é o alimento da colônia).

Colônias de Kombucha alimentadas e prontas para ir para a geladeira
Colônias de Kombucha alimentadas e prontas para ir para a geladeira

Agora está pronto, é só colocar no local destinado a elas. Em alguns dias você irá notar que a tampa do recipiente está estufada. É esperado que isso ocorre. Simplesmente abra e feche novamente a embalagem para que o gás se disperse de dias em dias. Se não fizer isso a tampa provavelmente irá abrir, sem maiores problemas. O único cuidado que eu tenho é manter a embalagem fechada, porque li em algum lugar que poderia ocorrer alguma contaminação. Acredito que não seja comum essa contaminação, mas de qualquer forma, mantenho fechada a embalagem para que não se misturem os aromas dentro da geladeira. Bem, lá vai ela.

Colônias de Kombucha guardadas na geladeira
Colônias de Kombucha guardadas na geladeira

Drink-Refresco com mel e hortelã

Voltamos a falar dos drinks, que nesse caso é na verdade um refresco, mas mantêm o modo de preparar parecido com os drinks, e portanto prefiro chamá-lo de drink-refresco. Trata-se de uma bebida de família pois não contém álcool.

Um drink extremamente simples. Refrescante  e saboroso, é ideal para os dias quentes.

Ingredientes

  • 1/2 litro de Kombucha
  • 1/2 litro de água gasosa
  • 2 rodelas de limão
  • 5 folhas de hortelã fresca
  • 50 ml de mel
  • 4 pedras de  gelo

Utensílios

  • Coqueteleira. Bem, isso é o ideal, porque o modo como uma coqueteleira mistura os ingredientes é muito singular. Mas é claro que poucas pessoas tem em casa um instrumento tão específico. Se tiver habilidade para tanto pode-se improvisar uma coqueteleira com dois copos grandes.
  • A solução de misturar tudo com uma colher acho que não daria certo, mas pode-se tentar.
  • Bater num processador ou liquidificador também pode não ficar muito bom.

Preparo

  1. Colocar na coqueteleira o Kombucha com hortelã, mel e gelo;
  2. Tampar e misturar;
  3. Adicionar a água gasosa. Pode ser feito também com água tônica, de acordo com o gosto de cada um;
  4. Bater suavemente, tendo o cuidado de abrir depois de algumas sacudidas – afinal se tratam de líquidos gasosos.
  5. Pronto! Sirva imediatamente.

Segunda fermentação

Depois de algum tempo utilizando o Kombucha, é natural que você perceba que realizar a fermentação por esse processo caseiro leva a resultados não muito homogêneos. Isso é, o processo de fermentação está sempre dependendo de diversos fatores como: clima, qualidade dos ingredientes, forma como é manipulado, quantidades, dentre outros. Assim como outros produtos que utilizam esse processo no seu preparo – a exemplo dos vinhos e espumantes –  Kombucha também possibilita a alteração do seu sabor e do resultado final através de algumas técnicas.

Uma dessas técnicas é o que chamamos entre os apreciadores de Kombucha que conheço como a da segunda fermentação. De fato é uma forma de continuar a primeira fermentação. Algumas pessoas dirão que se trata de uma só fermentação mas é um ponto de vista somente.

Tenho utilizado frequentemente. É um método simples embora não seja exatamente fácil. Não tem nenhum mistério para ser executado, mas como tudo no processo de produção do Kombucha, depende de prática para se perceber alguns detalhes, por exemplo: saber como medir o tempo de fermentação de acordo com a temperatura ambiente; perceber como se encontra o volume da garrafa, se for utilizada garrafa PET; saber como diferenciar entre o tempo necessário para fermentar novamente um chá mais ou menos doce; como tampar a fermentação em garrafas de vidro; além de muitos outros.

Essas práticas eu já experimentei:

Segunda fermentação em garrafa PET

  • Temperatura média ambiente: 25° centígrados. Retirar o Kombucha com seis dias fermentando num recipiente de vidro, segundo a receita clássica. Em seguida, colocar dentro de uma garrafa PET com capacidade para 2,5 litros enchendo até o limite, de modo a evitar ao máximo a presença de ar. A tampa de rosca chega a encostar na superfície do líquido. A garrafa é mantida lacrada em temperatura ambiente durante 5 dias.
  • Noutra garrafa, também PET eu coloquei o restante dessa fermentação. Numa garrafa de 2 litros que ficou pela metade.
  • Depois dessa segunda fermentação anaeróbica a bebida apresenta um sabor mais frisante e menos doce. Aqueles que experimentaram as duas bebidas em minha presença gostaram mais do sabor da que utilizou essa segunda fermentação.
  • Essa prática faz com que se acentue o sabor do Kombucha. Em alguns casos o sabor se assemelha a um refrigerante, em outros se assemelha a um champanhe.
  • Pouco acima me referi a essa fermentação como anaeróbica, mas ela poderia ser chamada de semi-anaeróbica. Isso porque o material utilizado na garrafa PET se expande. E acaba se formando uma nova colônia, muito fina, microscópica em alguns casos.

Abaixo coloco algumas fotos e um vídeo do que ocorre com uma garrafa depois de passados alguns dias:

Essas duas garrafas abaixo estão prontas para iniciar a segunda fermentação. A bebida pronta foi retirada diretamente da primeira fermentação e colocada nessas duas garrafas do tipo PET de renomada marca de refrigerante, reutilizadas.

As garrafas contém chá verde (mais clara) e chá preto, comportam volumes diferentes sendo 2,5 e 2 litros respectivamente, uma delas foi completamente cheia a outra não. Isso parece interferir diretamente na gaseificação. Pessoalmente notei que as garrafas que não estão totalmente cheias realizam esse processo mais rápido provavelmente em função do maior presença de oxigênio. Da mesma forma, essas fermentações com as garrafas não totalmente cheias ou pela metade produzem maior acidificação em menor período. Não estou certo sobre a regularidade desses resultados, é necessário mais pesquisa, maior atenção especificamente a esse processo. O que escrevo aqui é parte de uma observação bastante intuitiva, sem testar o pH, sem anotar, sem documentar. É produto da minha percepção sobre o que eu já realizei.

Garrafas de PET prontas para a segunda fermentação
Garrafas de PET prontas para iniciar a segunda fermentação.
Garrafas de PET prontas para a segunda fermentação
Garrafas de PET prontas para iniciar a segunda fermentação.

Depois de alguns dias temos o resultado: garrafas PET estufadas no limite! Ficam lisas de tanta pressão. Aqueles detalhes de acabamento na garrafa quase desaparecem.  A garrafa fica dura ao toque como se fosse de outro material. Efeito muito semelhante se observa com os refrigerantes: as garrafas ficam tesas parecendo que vão explodir.

Abaixo 2 fotos já publicadas também no fórum KBB no tópico que discute a segunda fermentação. Nelas podemos observar a diferença que apresenta uma garrafa com 10 dias lacrada e outra com 2 dias. A garrafa da esquerda, mais clara, contém chá verde e está a dez dias em processo de segunda fermentação. A garrafa mais escura, da direita, contém chá preto e está a 2 dias no mesmo processo. Em ambas podemos observar formação de nova colônia. Pelos motivos que citei, aparentemente a garrafa mais vazia apresenta uma colônia mais desenvolvida na superfície do líquido apesar do menor prazo lacrada.

Comparação entre as garrafas PET lacradas a alguns dias
Comparação entre as garrafas PET lacradas a alguns dias.

Observe como a tampa também mudou o seu formato, devido a violência da pressão exercida pelos gases no interior da PET:

Comparação entre as tampas das garrafas PET lacradas a alguns dias
Comparação entre as tampas das garrafas PET lacradas a alguns dias.

Como podemos imaginar esse volume tem um limite. Pessoalmente nunca presenciei nenhuma garrafa explodindo. Mas já vi garrafas de vidro terem suas tampas arremessadas depois de retiradas da geladeira e deixadas em temperatura ambiente.

Após esse processo vamos abrir a garrafa e deixar o gás escapar. Abaixo você pode ver um vídeo que apresenta a garrafa sendo aberta diretamente depois de retirada do repouso da segunda fermentação.

Aqui entram alguns detalhes realmente interessantes sobre esse processo. Algumas possibilidades ainda não muito bem testadas e documentadas, mas que podem servir como uma dica de caminho a seguir:

  • Balançar a garrafa durante o processo, diariamente, parece atrapalhar bastante as colônias em formação na garrafa, o que pode ser uma técnica a ser testada no intuito de evitar tal formação.
  • Não percebi diferença significativa entre as fermentações quando mudei de local ou manipulei a garrafa. Isso ocorreu aleatoriamente. Não fiz isso sistematicamente, diariamente.
  • Colocar a garrafa na geladeira depois da segunda fermentação diminui a intensidade da saída dos gases quando abrimos a garrafa. Assim como ocorre com os refrigerantes, o Kombucha depois da segunda fermentação está bastante gaseificado. Se for aberta a garrafa diretamente à temperatura ambiente o efeito será esse observado no vídeo acima. Mas se colocarmos a garrafa na geladeira, o efeito se reduz. É muito semelhante a abrir um refrigerante ou espumante gelado.
  • Como já me referi anteriormente, a primeira fermentação é aeróbica, isso é, necessita da presença de ar e os gases formados se expandem e são liberados. A segunda fermentação tem características anaeróbicas (com a mínima presença de ar ou com total ausência de ar). Não sei se estaria correto dizer que a segunda fermentação realizada em garrafa de vidro seja totalmente anaeróbica e que aquelas realizadas em garrafas do tipo PET poderiam ser consideradas semi-anaeróbicas. Pode ser um neologismo mas representa melhor esse processo que afinal conta com a expansão das garrafas.
  • O processo ocorre mais rapidamente quanto mais quente está a temperatura ambiente.
  • Não testei mas, segundo li, num ambiente com a temperatura controlada essas duas fermentações ocorrem de forma bem mais homogênea e previsível.

Não deixe de ler o tópico no Fórum KBB sobre esse assunto: Segunda fermentação. Dê a sua opinião nesse debate.

O mais completo fórum sobre Kombucha!

O Kombucha Blog do Brasil agora possui um fórum de discussão sobre o Kombucha.

Felizmente, graças aos esforços do Grupo KBB, o nosso Blog se tornou uma referência sobre o Kombucha na língua portuguesa. Hoje ele é acessado diariamente por muitas pessoas em diversos países.

Quando estamos lendo algo sobre um tema pouco conhecido é natural que apareçam dúvidas, e a forma como é criado um blog por vezes dificulta bastante para o usuário no momento de postar uma pergunta ou pedido de doação de colônia. O formato de um fórum é muito mais adequado ao debate do que o formato de um blog.

Assim sendo, a evolução do formato do KBB, e o número crescente de acessos nos permitiu mudar o Blog para um novo endereço e criar o mais novo espaço para o debate, o Fórum Kombucha Blog do Brasil (FKBB).

É com orgulho que convidamos você a conhecer e participar desse novo espaço do Kombucha!

Obrigado a todos!

A Equipe do Fórum Kombucha Blog do Brasil.

Acesse agora mesmo:

Fórum Kombucha Blog do Brasil

O preparo para a fermentação – Ilustrado

Penso que é interessante visualizar o processo do preparo. Nesse momento resolvi documentar passo a passo o preparo do Kombucha. Espero que possa ser útil para comparação: é uma forma de fazer, a mais prática e típica. Existem diversas outras formas de preparo envolvendo métodos, recipientes e ingredientes diferentes desses aqui apresentados.

Bem, vamos começar então. Dia típico, Kaik sempre por perto interessado… é um cão que usa Kombucha!

Primeiro passo:

Kaik pensando

Realmente, precisamos de água.

Pois é, esse tipo de galão de 20 Litros de água mineral é bastante comum. Se não encontrar um desses use o que encontrar, mas não utilize água da torneira porque contém cloro e pode matar a colônia.

Segundo passo:

Daqui pra frente o processo é na cozinha, local de acesso restrito e sendo assim, o meu amigo peludo não pode participar. Tem que ser assim porque agora devemos limpar muito bem o local, lavar as mãos e os utensílios nos quais vamos preparar o chá para fermentação. Mas acho que esse orelhudo vai querer mesmo é tirar uma soneca…

Agora vamos preparar o chá: coloquei cerca de 3 litros de água numa panela de aço inoxidável. Outros materiais que podem ser utilizados: vidro e cerâmica. Não utilize nunca panelas de alumínio ou ferro porque prejudica o processo de fermentação. (existem artigos sobre esse assunto no Blog)

Vamos colocar a água para ferver.

Terceiro passo:

Misturar o açúcar refinado na água fervendo.

Normalmente para o volume de 3 litros de água eu utilizo 1 mais 1/4 desses copos grandes. Corresponde a uns 300 gramas aproximadamente. Algumas pessoas utilizam mais, outras menos.

Quarto passo:

Pegar o chá, que nesse caso é o chá-preto (Camellia sinensis), e que pode ser encontrado em supermercados. É bem comum e fácil de encontrar. Existem diversas marcas, e acredito que somente os mais exigentes notariam diferenças significativas no sabor final da bebida dependendo da marca utilizada. Podemos utilizar também o chá-verde que é a mesma planta – o processamento da planta é que difere.

Desligar o fogo e colocar os saquinhos na panela com a água doce logo em seguida.

Após 10 ou 15 minutos, retirar os saquinhos. Se você se esquecer dos saquinhos, até mesmo por horas, não tem muito problema, pode ser utilizado ainda. Só observe se não entrou nenhum inseto. O sabor vai ficar bem acentuado, mas não atrapalha a fermentação.

Quinto passo:

Devemos colocar o chá num recipiente adequado para a fermentação. Isso pode ser feito com o chá quente ou frio. Nesse caso eu utilizo um desses vidros usados para guardar biscoitos ou mantimentos.

Sexto passo:

Vamos colocar a colônia dentro do chá. Mas preste atenção, isso não pode ser feito com o chá quente! a colônia normalmente não sobrevive a isso.

Retiramos as colônias guardadas na geladeira.

Que beleza!

Vamos agora colocar uma dessas colônias dentro do vidro com chá à temperatura ambiente. Note que nesse caso eu não utilizei o Kombucha pronto. As receitas mais tradicionais recomendam a utilização de uma porção de 10% (do volume do vidro por exemplo) de Kombucha pronto no intuito de proteger a fermentação contra bactérias nocivas. Na prática pode ocorrer a aceleração da fermentação, o que não é desejável para mim porque moro num local quente e normalmente a receita padrão com o Kombucha pronto adicionado avinagra ou fica muito ácido já em 4 ou 5 dias. E é mais difícil para controlar o grau de acidez, sendo que a cada nova fermentação fica mais ácida. Colocando a colônia no vidro somente com chá doce pode ser uma solução para isso. Sem os 10% da bebida pronta e mesmo no inverno, retiro da primeira fermentação com 6 ou 7 dias. (falei em ‘primeira fermentação’ porque existe a possibilidade de se fazer outros processos de fermentação, após a bebida pronta. Mais detalhes nesse artigo – leia mais).

Mergulhando…

Sétimo passo:

Precisamos agora de algum material para tampar a boca do vidro no intuito de evitar a entrada de insetos e outros possíveis agressores. E outro para amarrar.

Eu utilizo um tipo de pano que acho bastante prático, encontrados também com facilidade para uso na cozinha. Para amarrar eu utilizo fios encapados parecidos com aqueles de amarrar saco de pão, mas que são vendidos em rolos – não sei se é fácil encontrar, talvez em lojas de material para construção.

Fechando a boca do vido: colocamos o pano dobrado e amarramos.

Oitavo e último passo:

Encontrar um local adequado para a fermentação do Kombucha. Alguns critérios devem ser observados para a escolha do local: arejado, mas não excessivamente; escuro preferencialmente, mas a mudança da luz do dia para a noite ou mesmo acender uma lâmpada por algum tempo não impedem a fermentação; tranquilo, nesse caso precisamos de um local que permita que o vidro permaneça imóvel e de preferência não precise ser tocado até o final do processo.

Agora é só aguardar. Normalmente são entre 6 e 10 dias dependendo da temperatura ambiente. Em alguns dias percebemos um odor parecido com o do vinagre no local de fermentação.

Nesse período de tempo uma nova colônia está se formando acima da colônia que colocamos no vidro. Passados os dias necessários para a fermentação e se tudo ocorrer de forma correta, teremos duas colônias de Kombucha. Esse procedimento vamos realizar em outro artigo no Blog em breve.

Quantidade de chá na fermentação

A quantidade do chá pronto a ser utilizado pode influenciar no tempo de fermentação, assim como no resultado final da bebida.

Notei que deve existir um equilíbrio entre a quantidade de líquido utilizado e o volume da colônia para que a fermentação ocorra de uma forma mais regular.

Assim, uma maior quantidade de chá geralmente demora um pouco mais para fermentar. Nas receitas básicas de Kombucha é indicado o uso de 1, 2 ou 3 litros de chá. Quando o preparo envolve essas diferentes quantidades de chá, pode ocorrer diferença de alguns dias entre as fermentações. Já usei esses diferentes volumes de chá e colônias com volume igual (semelhante).

Experimentei assim:

  • Preparei chá verde, com açúcar refinado, 5 litros;
  • Coloquei 3 litros num vidro, com tampa de 10 cm de diâmetro;
  • Coloquei 2 litros num outro vidro, também com tampa de aprox. 10 cm de diâmetro;
  • Coloquei em cada vidro duas colônias (filhas) com tamanho muito parecido, que se encontravam guardadas a três dias em uma vasilha com chá verde açucarado, na geladeira (fiz isso no intuito de tentar igualar o pH delas);
  • Ambas fermentaram por 7 dias;
  • Aquela do vidro menor (2 litros) estava mais ácida.

Como eu quase sempre utilizo os dois vidros simultaneamente, já pude perceber esse mesmo fenômeno ocorrendo outras vezes, da mesma forma, mesmo quando eu utilizo o chá preto.

A quantidade do chá pronto a ser utilizado pode influenciar no tempo de fermentação, assim como no resultado final da bebida.

Pode parecer bastante lógico e até desnecessária tal observação, mas repare que o preparo do Kombucha exige-nos muito enquanto pesquisadores. Por muitas vezes estive convicto de que encontrára a receita ideal para o preparo e no entanto o resultado foi surpreendente. Por isso essa tentativa de entender os pormenores. São inúmeros detalhes, muito pouco e muito poucos divulgados, e que influenciam diretamente e definitivamente no resultado final.

Nem sempre conseguimos ter controle sobre as condições externas tal como a temperatura ambiente – a não ser que tenhamos condições de criar ambientes artificialmente constantes em temperatura, humidade do ar, qualidade do ar. Da mesma forma, nem sempre podemos nos certificar que a água utilizada seja pura e que não contenha alguma substância que desagrade à colônia. Assim com o açúcar, ou o chá pode ocorrer o mesmo.

A quantidade de chá é um dos inúmeros fatores que determinam a fermentação enfim.